“Hoje eu não sinto mais saudade de você. Não estou dizendo essas palavras para te atingir, me vingar ou fingir que não estou mais nem aí. Só não sinto mais saudade de você. Antes aquela saudade me consumia, fazia meus olhos encherem de lágrimas, fazia meu coração tremer. Hoje tudo isso passou. Procuro no passado o que me fez te querer tanto. Não acho. Você continua bonito, engraçado e sedutor. Mas não vejo mais graça nisso tudo. Não me abalo mais com tanto poder de sedução. O encanto acabou, a magia se partiu, tudo ficou bem terminado aqui dentro. Isso antes me entristecia, hoje me deixa com olhar de paisagem. Não sinto nada. Nem seu cheiro sinto mais. Antes, fechava os olhos e conseguia sentir seu perfume. Passou. Meu Deus, eu achei que nunca ia passar! Pensei que meu sofrimento jamais teria fim. Mas teve. Um fim bonito. Um fim que não deixa nem saudade.”
Senti-me em queda livre sem nenhum paraquedas que parasse a minha queda. Meu mundo desabou, a música no rádio parou, a flor do jardim broxou, a televisão pifou e o mal tempo se instalou no quarto de hóspedes junto da solidão. Chovia dentro de mim. A tempestade estava passando na minha vida e de mim só restavam os destroços. Era aquele sorriso que iluminava o meu dia. ”O amor é um inferno”, pensava eu, enquanto olhava uma de nossas fotografias. Ela se foi, me levou, mas deixou-me. Destruiu-me e nem se deu o trabalho de consertar, antes de partir. ”Por quanto tempo eu aguentaria aquela dor?”, era a pergunta que eu me fazia, sentado à beira do precipício, pensando em me jogar. Eu perdi o rumo e o riso. Eu me perdi.
Nem raiva eu consigo ter de você. Quando leio seu nome não vejo nada, só um enorme vazio. Não há nada mais que nos ligue, nosso passado está morto e enterrado.